23.7.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XIII




Jantaram na cozinha. Helena, ia pôr a mesa na sala, mas Fernando pediu para o fazerem ali, e ela acedeu. Afinal tinha-lhe dito que sempre o fazia com o filho, insistir em comer na sala, seria tratá-lo como uma visita, e ela queria que ele se sentisse o mais possível integrado na família. Pensava que isso poderia contribuir, para que a memória voltasse. O menino comeu apenas duas ou três colheres de sopa, dizendo que estava muito cheio, e a mãe não insistiu, não sabia o que ele tinha comido na festa, e não queria que ele ficasse mal disposto. Então saiu da mesa, foi buscar um carrinho e sentou-se no chão a brincar. Eles comeram em silêncio, cada um imerso nos seus pensamentos. Terminada a refeição, e enquanto ela fazia os cafés ele levantou a loiça da mesa, passou os pratos por água e meteu-os na máquina. coisa que fez com grande à-vontade, o que levou Helena a pensar que devia estar habituado a fazê-lo. “Provavelmente, é casado, está habituado a partilhar as tarefas com a esposa, ou pelo menos com a namorada” pensou e sem saber porquê sentiu que o coração se entristecera com aquele pensamento. Por outro lado, se ele fosse casado, a esposa não participaria o desaparecimento dele? Se ele fosse seu marido ela revolveria céus e terras para o encontrar. Sentiu que corava, com aqueles pensamentos. Debruçou-se para levantar o filho do chão.
- Vamos filho, são horas de ir para a cama.
- O “tio” Fernando podia ler-me a história hoje? – Perguntou a criança.
- Se a tua mãe deixar.
- Deixas, não deixas, mamã?
- Está bem. Mas primeiro temos que ir lavar os dentes.
O menino seguiu para a casa de banho com os dois adultos atrás.
Pouco depois, já deitado, a mãe aconchegou-lhe a roupa. Fernando abriu o livro que estava em cima da mesa-de-cabeceira e começou a ler a história de Pedro e o Lobo. Não tardou que a criança adormecesse, e depois de um beijo de boas noites, saíram fechando a porta e dirigiram-se para a sala.
- Estou espantada com o Diogo. Regra geral é tímido com os desconhecidos. A própria educadora, se queixa disso. E contigo, foi como se te conhecesse desde sempre.
-Fico contente que tenha gostado de mim. Talvez sinta a falta de uma figura paterna. O pai não vem vê-lo?
- Não.
- Morreu? Desculpa, não tens que responder, se isso te aborrece.
- Não. Eu era muito inexperiente, quando conheci o pai dele. Deslumbrada, apaixonei-me loucamente,  mas para ele era apenas mais uma aventura. Já tínhamos acabado quando soube que estava grávida, e entendi que um filho não mudaria nada dos seus sentimentos por mim, nem acabaria com a minha desilusão. Não lhe contei Tinha a certeza de que se o fizesse, ele quereria que eu abortasse.  Bom, estou cansada. Vou-me deitar. Boa noite.
- Boa noite, doutora! Dorme bem!



22.7.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XII


O menino que conversava animado com a mãe, sobre as peripécias da festa de aniversário do seu amiguinho, calou-se quando entrou na sala, olhando espantado para o homem que ali se encontrava. A mãe, deu-lhe a mão e disse:
- Diogo, este é Fernando, um amigo da mãe, que veio passar uns dias connosco.
- Olá campeão, - disse ele ajoelhando para ficar à altura do menino e estendendo-lhe a mão. A tua mãe fala muito de ti, mas não pensei que fosses um menino tão bonito.
Sorrindo o garoto estendeu a mão, mas depois como quem muda de ideia, estendeu os braços para o pescoço do homem e deu-lhe dois beijos. Surpreso Fernando retribuiu o abraço tentando esconder a emoção, sem saber se sempre tinha sido assim sensível, ou se isso se devia ao acidente.
- Vamos filho, deixa o Fernando sossegado, está quase na hora de jantar, e tens que tomar banho.
-Jantar? Eu não tenho fome, mamã.


- Calculo. Mas pelo menos tens de comer uma sopa. Anda, vamos tomar banho.
Os dois afastaram-se, deixando Fernando inquieto. Aquilo não podia estar a acontecer, era demasiado surrealista, decerto era um pesadelo do qual acordaria em algum momento. Tentou embrenhar-se na leitura, mas não conseguiu. Desde que recuperara a consciência, não lhe saía da cabeça a mesma pergunta. Quem raio era ele, e como fora aparecer numa estrada deserta, meio morto? A polícia dissera que não foi encontrado nas redondezas, nenhum automóvel acidentado. Teria ido a pé, e alguém o atropelara? Mas para onde ia a pé, se a polícia dissera que do local onde fora encontrado, até à cidade iam dez quilómetros? Por outro lado, também lhe disseram que as suas roupas embora meio despedaçadas, eram roupas caras. As suas mãos também não eram mãos de trabalhador. Então onde estava o carro? E porque ninguém avisava a polícia do seu desaparecimento?Será que ele era sozinho no mundo? Eram demasiadas perguntas sem resposta.
O menino voltou para a sala, de pijama e robe, e a mãe avisou que ia apenas aquecer a comida para jantarem. Ele pousou o livro e dando a mão ao menino, disse.
-Vamos ajudar a mãe, campeão?
- A mamã não me deixa ajudar, desde que uma vez quebrei um prato, -
lastimou-se a criança.




21.7.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XI



-Porquê, doutora? Porque me trazes para tua casa, e me tratas como se fora alguém da tua família?
- Não sei, - disse sustentando-lhe o olhar. -Talvez porque me sinta responsável por ti, desde que te vi meio morto na estrada, ou porque a época é de fraternidade e me aflige, que não saibas quem és, nem para onde hás de ir. Ou porque sempre me senti, um pouco a Joana D'Arc, e nunca tive oportunidade de o demonstrar. Ou simplesmente,  porque gostaria que alguém me ajudasse se fosse comigo. Mas isso que importa? Tenho que ir lá acima ao quarto andar, buscar o meu filho, a festa do amigo já terá terminado. Depois acabo de preparar o jantar que na verdade já está feito, é só ligar o forno para o aquecer. Enquanto isso, podes ir para o teu quarto descansar, ou para a sala, tens lá vários livros, ou  se te apetecer, liga a Televisão.
Com os olhos brilhantes de emoção, ele beijou-lhes as mãos e disse:
-És uma mulher incrível, doutora. Oxalá a tua generosidade possa ser recompensada.
 Soltou-a e virou-se para a janela, para esconder dela o desespero que a sua situação lhe provocava.
- Não fiques assim. Tenta relaxar. Quanto mais te esforças, mais frustrado ficas. A tua RM não acusou nenhuma sequela que seja a causa da amnésia. Deves ter tido um choque grande e o teu subconsciente recusa-se a recordar. É como se ele receasse alguma coisa. Quando deixar de recear, recordarás tudo. Agora, vou buscar o Diogo. Deveríamos arranjar-te um nome. Não pudemos dizer-lhe que não te lembras dele, porque isso iria fazer uma grande confusão, na sua cabeça. Tens predileção por algum?
- Fernando – disse sem pensar, e acrescentou. Foi o primeiro que me ocorreu. Será que é o meu nome?
- Quem sabe? Pode ser. Até já – disse saindo e deixando-o a sós com os fantasmas  que o atormentavam.
Fernando, - vamos chamar-lhe assim- foi até à sala. Acendeu a luz, e dirigiu-se à estante que ocupava toda uma parede. Muitos livros relacionados com a medicina, diziam bem do interesse da dona da casa. Mas também havia muitos outros. Clássicos da literatura mundial, como Goethe, Balzac, Shakespeare, Dostoiévski, Homero, Dante, Camus, Victor Hugo, Sartre, Ionesco, Steinbeck, entre muitos outros. Mas também os de língua portuguesa, como Camões, Pessoa, Machado de Assis, Jorge Amado, Camilo Castelo Branco, Eça de Queiroz, Virgílio Ferreira, entre um numeroso grupo de bons autores. Escolheu “O Náufrago” de Thomas Bernhard, porque no fundo era assim que ele se sentia. Um náufrago da própria vida.
Sentou-se no sofá e abriu o livro. Mas não teve tempo para iniciar a leitura, porque nesse momento, a porta abriu-se e Helena voltou com o filho.
  




20.7.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE X






Na rua o homem parou, piscou os olhos por causa da luz daquele bonito dia de sol, e respirou fundo. Depois retomou a marcha, seguindo Helena em direção ao carro. Quando o veiculo começou a rodar, ela comentou:
-Amanhã, vamos ao centro comercial. Precisa de comprar algumas roupas.
- Mas como? Não tenho dinheiro!
- Eu sei. Mas posso emprestar-lhe o suficiente para que compre o necessário. Pagar-me-á quando recuperar a sua vida.
- E se isso nunca acontecer doutora? Não posso viver às custas da sua generosidade.
- Não se preocupe. Quando menos esperar, recupera a memória. Foi pena que não se deixasse hipnotizar. Podia ser que o psiquiatra tivesse descoberto algo.
- Mas não foi culpa minha, juro.
- Chegamos, - disse ela estacionando o carro junto de um prédio de apartamentos. Moro no segundo andar. Vamos?
Acionou o mecanismo da chave para fechar o automóvel, ao mesmo tempo que se dirigia para a entrada do prédio seguida pelo homem. Se a porteira a visse, decerto ia estranhar. Morava ali há três anos, e nunca entrara ninguém na sua casa, a não ser a empregada, e os seus pais, quando vinham passar uns dias com ela. Não utilizaram o elevador. Ela nunca o usava, preferindo subir os dois lances de escadas, e naquele dia não foi diferente, até porque pensou, que depois de tantos dias, na cama, ele precisaria de exercício. Abriu a porta, acendeu a luz, pendurou a mala num cabide à entrada, e voltando-se para ele que se mantinha em silêncio, disse:
- Venha, vou mostrar-lhe a casa. Aqui é a sala, digamos de recreio. Aqui pode ler, ouvir música, ou ver TV. Aqui é a sala de refeições. É pouco utilizada, como vivo sozinha com o filho, comemos sempre na cozinha. É mais aconchegante. O quarto principal, o quarto do Diogo, e o quarto dos meus pais, que será o seu, enquanto aqui estiver. No armário, estão algumas roupas, para dormir confortável hoje. Espero ter acertado com o tamanho. Aqui  são as casas de banho. Esta é a que uso com o Diogo. 
A porta ao lado, é de outra casa de banho cuja diferença consiste, em que esta tem banheira, e a outra apenas duche. No resto são iguais. Poderá usá-la.
E finalmente a cozinha. 
Voltou-lhe as costas, mas ele pôs-lhe uma mão no ombro e forçou-a a voltar-se. Segurou as mãos dela entre as suas, e perguntou sem deixar de a fitar:



Este é o último post que eu publico. A partir de amanhã, já sairá um novo capitulo todos os dias automaticamente, até ao meu regresso. Espero que a história vos interesse até ao fim. Sempre que eu consiga maneira de chegar até vós visitar-vos-ei.  Fiquem bem

19.7.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE IX

               Mãe babada, mais uma vez utilizo uma
               foto do Pedro para ilustrar uma história.


Sandra, a colega com quem fizera amizade, naquelas três semanas, não estava, mas a enfermeira apresentou-lhe o doutor João, que fazia parte da equipa e que era quem naquele dia estava de serviço. Ele informou-a, que do ponto de vista físico, o paciente estava curado, mas que continuava sem memória. A polícia já tinha sido informada da sua alta naquele dia, e ela teria que assinar um termo de responsabilidade, e deixar a morada, a fim de ser contactada se houvesse alguma evolução nas investigações. Ele também já fora visitado pelo psiquiatra, que pensava talvez pudesse ajudar através da hipnoterapia. Mas o doente resistira à hipnose, e o clínico não pudera por em prática a sua teoria, já que como é sabido, em caso de rejeição é impossível conseguir obter o estado hipnótico. Terminada a conversa, e assinado o documento, despediu-se do médico e dirigiu-se à sala onde o homem se encontrava.
Ele estava sentado na cadeira, junto da cama. Devia rondar o metro e noventa, era bem constituído, tinha o cabelo negro húmido, como alguém que acabara de tomar banho, a barba escanhoada, e vestia umas calças de ganga pretas, e uma suéter vermelha. Ela que só o vira de noite, deitado na estrada, em hora de aflição, e depois nas visitas sempre deitado, não se tinha apercebido da figura imponente do homem, que se levantou e esboçou um sorriso, quando a viu entrar.  Sentiu que o seu coração disparava, enquanto a cabeça a avisava, de que se estava a meter, numa camisa-de-onze-varas, como costumava dizer a sua mãe.
-Boa tarde,- saudou estendendo-lhe a mão que ele apertou com calor. Pronto para a vida lá fora?
-Boa tarde, doutora. Disseram-me que tinha alta, e que a senhora me vinha buscar. Porquê? Estou tão mal que tenha que ser vigiado?- Perguntou com ansiedade.
-De modo nenhum. Apenas faltam poucos dias para o Natal, e como sei que não se lembra de onde mora, pensei convidá-lo a passar o Natal connosco. Apenas isso, mas se não o deseja, vou-me já embora.
- Nada disso doutora. Não me leve a mal. Toda esta situação, é tão nova para mim.
- Então, vamos? Deixei o meu filho numa festinha de anos em casa duns vizinhos, e não me posso demorar. Pelo caminho podemos conversar.
Ele apanhou o casaco, das costas da cadeira, e disse enquanto o vestia.
-A doutora manda.





18.7.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE VIII



Aquela semana, foi muito complicada para Helena. Desde logo porque não conseguia afastar da cabeça, o homem que socorrera, e que fisicamente melhorava de dia para dia, estando prestes a ter alta. Helena já tinha conversado com Sandra, a colega que chefiava a equipa de médicos que o tinha a seu cargo, e sabia que no final da semana lhe iam dar alta. Faltava uma semana para o Natal e por essa época todos os doentes que estejam em fase de recuperação, têm alta a fim de passarem a quadra com a família. É todos os anos assim. A equipa médica até tinha feito uma “vaquinha” para lhe comprarem alguma roupa, uma vez que aquela com que tinha entrado no hospital, estava imprestável e tinha sido incinerada. Também sabia que a polícia não descobrira nada sobre ele, que continuava com amnésia. Não conseguia deixar de pensar nele, o seu rosto povoava-lhe os sonhos. Tentava encontrar desculpa para o seu interesse nos sentimentos humanitários, que no fundo, talvez não  tivesse, se o paciente fosse outro, fosse mais velho, ou menos atraente. A verdade, é que tinha quase trinta e dois anos, estava no máximo da sua plenitude sexual e excetuando o caso breve com o pai do filho, não tinha tido outro relacionamento com homem algum. E o que estava a acontecer, é que se estava a apaixonar por aquele desconhecido misterioso..
Sabia que a polícia estava a tentar arranjar um sítio onde o acolher até ver se conseguiam descobrir a sua identidade, mas pretendia levá-lo para sua casa, pelo menos naquela quadra. Tinha dez dias de férias para desfrutar, a partir da próxima semana, esperava passá-los na aldeia com os pais, e podia perfeitamente levá-lo como se fosse um amigo. Pelo menos passaria o Natal em ambiente familiar, e depois se veria. Talvez até, quem sabe, ele recuperasse a memória, nesse espaço de tempo. De modo que estava resolvida a falar com a polícia e ficar responsável por ele. Não era uma decisão muito sensata, podia até ser perigosa, pensava.  É que ele tanto podia ser um cavalheiro como um psicopata, mas ela confiava nos seus instintos e eles diziam-lhe que não se tratava de um facínora. E demais se o fosse, a polícia não o teria já identificado? 
Preparou o quarto de hóspedes, já que ele teria alta no sábado e ela só seguia para a aldeia na segunda-feira, e depois conversou com o filho, para que o menino,  não estranhasse a situação. E assim naquela tarde de sábado, dirigiu-se ao hospital, a fim de o ver e convidá-lo a acompanhá-la.



Aviso aos leitores. 

Sexta-Feira vou de Férias.  Adiantarei um pouco esta história, hoje e amanhã, porque em Lagos não tenho internet, a não ser no Smartphone. A história ficará programada para sair um capitulo por dia .  Quando esta acabar, entrará automaticamente  "Dívida de jogo" da mesma maneira. Provavelmente só volto em Setembro. Entretanto sempre que der, tentarei visitar-vos.  




SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE VII




A colega despediu-se, depois de mais umas perguntas ao doente:
- Bom, Helena, tenho que ir. Conversamos amanhã.
- Amanhã estou de banco. Ligo-te, quando puder. Obrigada, por me teres avisado.
Helena puxou a cadeira para junto da cama e sentou-se:
- Fico feliz por ver que está em franca recuperação. Cheguei a temer que fosse demasiado tarde quando o encontrei.
- Já me contaram doutora. Sei que lhe devo a vida, e não tenho palavras para lhe agradecer. Foi muito corajosa.
- Não tem nada para agradecer, mas se o quiser fazer, agradeça-me pondo da sua parte todo o empenho numa rápida recuperação. E não me chame doutora. Guarde esse tratamento para a minha colega, que é a sua médica. Trate-me por Helena. Vou deixá-lo. Precisa descansar. Vou passando quando puder, para ver como vai. Sei que está a passar por uma experiência difícil, Tente não ficar desesperado, tenha a certeza de que a equipa médica que o acompanha, vai fazer tudo para o ajudar.
- É um desespero, não saber quem sou. Esforço-me por me recordar de alguma coisa e nada.
- Bom, - disse ela pondo-se de pé. – Tenho que ir, está quase na hora do jantar. Quer que lhe traga alguma coisa, quando voltar?
- Uma cabeça nova, - disse sorrindo pela primeira vez.
Helena, não pôde deixar de notar, como a expressão no rosto masculino, se suavizara com o sorriso. Estendeu-lhe a mão.
- Se isso fosse possível até eu quereria uma, - disse rindo.
Ele apertou-lhe a mão entre as suas, e disse com a voz enrouquecida.
- Obrigado. Nunca vou esquecer o que fez por mim, doutora
Helena não respondeu. Suavemente soltou a mão e virou costas, perplexa com os seus sentimentos. O que é que estava a acontecer com ela? Não podia estar a interessar-se por um desconhecido. Disse a si mesma que era apenas o interesse profissional dum médico pelo doente, e isso tranquilizou-a um pouco. Olhou o relógio. Tinha demorado mais do que queria, estava quase na hora de saída da empregada. Tinha que se apressar. Ainda tinha que passar pela pizaria, tinha prometido ao filho que levaria uma piza para o jantar. A rua fervilhava de gente aquela hora. As montras decoradas, mostravam que se estava quase no Natal e ela ainda não comprara os presentes. Tinha que o fazer no próximo fim de semana.




Parece que os leitores, estão tão às escuras como o sinistrado. Ninguém aventura um palpite?