30.4.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XII




Três meses depois, Beatriz saiu do centro de emprego com uma carta para apresentação num escritório de uma agência de publicidade.
O escritório ficava num segundo piso de um arranha-céus. Apresentou a carta a uma das empregadas e ela conduziu-a a um gabinete, onde foi recebida por um homem ainda jovem.
O homem que lhe fez a entrevista, insistiu no facto de precisarem de alguém com experiência, coisa que ela não tinha, de modo que a jovem sentiu que não ia ficar, e o seu bonito semblante entristeceu-se.
O homem, moreno, olhava-a com os seus penetrantes olhos cinzentos, tão fixamente que a jovem se sentiu incomodada e se levantou.
- Por favor sente-se. Ainda não acabei. Para este escritório, preciso de alguém com muita prática, é um facto, mas tenho uma proposta para lhe fazer.
Que proposta, poderia ele fazer-lhe, depois de levar todo o tempo desde que ela entrara a mirá-la, daquele jeito estranho,  e praticamente lhe dizer que no escritório não tinha lugar para ela? Corou até à raiz do cabelo, e ia protestar, mas ele não lhe deu tempo.
- Diz o seu currículo que é educadora de infância. É verdade?
- Sim, -respondeu sem entender a pergunta
- E porque quer trabalhar num escritório, e não numa escola ou creche?
- Porque até agora nunca trabalhei, e não é fácil conseguir uma vaga para esses sítios a meio do ano e sem experiência. E preciso trabalhar, - respondeu sem saber bem onde o homem queria chegar, ou que espécie de proposta lhe iria fazer.
- Tenho uma filha de três anos. A minha mulher morreu há pouco tempo. A menina está em casa entregue aos cuidados da avó. Porém a minha irmã, vai ser mãe, e quer a nossa mãe junto dela. Fico sem ninguém para cuidar da minha filha, e não quero nem posso nesta fase, pô-la numa creche. Preciso de alguém que cuide dela, e lhe dê a atenção que ela precisa, ao mesmo tempo que a vá educando e motivando para que tenha um crescimento físico e mental, saudável. E ninguém melhor para isso que uma educadora de infância. Interessa-lhe?
- Claro que sim. Adoro crianças.
- E tem disponibilidade para começar amanhã?
- Sim.
- Muito bem. Antes de passarmos a falar do contrato preciso saber mais uma coisa.
- Por vezes chego tarde a casa. Por isso o seu horário não poderá ser um horário fixo. Por outro lado, quando saio em viagem, se a minha mãe, não puder na altura ficar com a Matilde, teria disponibilidade para dormir lá em casa?
- Toda a disponibilidade do mundo.
Ele olhou-a com curiosidade. Era muito jovem. E gente jovem, gosta de sair divertir-se, namorar. Seria um risco confiar-lhe a sua filha?
Avançou com as condições do contrato que ela aceitou.
- Muito bem. Vou mandar redigir o contrato. Se puder passar por cá um pouco antes da uma, assina o contrato e levo-a a minha casa para que conheça a minha mãe e a Matilde. Creio que não lhe disse o meu nome. César Ferreira, - disse levantando-se e entendendo-lhe a mão.
Apesar de saber que ele tinha o nome dela no currículo,  retribuiu o cumprimento, repetindo o nome, antes de se retirar.



29.4.17

FELIZ ANIVERSÁRIO SEXTA







O Sexta faz hoje dez anos. Nasceu a 29 de Abril de 2007. Dez anos de muita história, muito aprendizado, muitas alegrias e tristezas.
Sempre com a vossa companhia, o vosso carinho.
Mas com dez anos, é ainda uma criança, e como todas as crianças, ele espera receber um presente de aniversário. E o presente que o  Sexta deseja, é que quem por aqui passar, siga este link e tome conhecimento deste projecto. É só o que vos pede. O resto é convosco 

Agora a minha forma de vos agradecer a vossa presença, carinho e disponibilidade.


No  Casario do Ginjal, ela caminhava como por Magia, absorta por onde o Pensamento Viaja,  nos Jardins da Afrodite, Fincando raízes, nesse Jardim d’ abrolhos, envolta no seu Xaile de Seda, onde uma Lua Singular punha Reflexos de prata.
Era, Elisa, uma rapariga normal, que gostava de Arte Cultura e Espiritualidade, e de Andarilhar pelos caminhos da vida, Divagando não é bem a palavra certa, mas na verdade ela sempre se entusiasmava quando se dirigia A Casa da Mariquinhas, vizinha da AvoGi, pois À Esquina da Tecla, havia uma boutique, onde os Brilhos da Moda, se sobrepunham em Ponto aqui, Ponto acolá,  aos Olhares da Gracinha sempre com a Mania das fotos, e algumas novidades entre os Amigos de Portugal e os Manuscritos da Galáxia.
Pelo caminho, cruzou-se com Leoeosseus, a LopesCa e o Zé Povinho, que mantinham entre si uma Conversa Avinagrada, a propósito da Cronicas do Rochedo  .
Gostaria de os interromper, Só pra dizer, que  Existe Sempre um Lugar,  onde Céus e palavras, se podem conjugar, para que as Coisas de uma vida., sejam  Vida e plenitude.
Porém não teve coragem, e continuando A viagem, chegou ao Largo da Memória, verdadeiro  Berço do Mundo, onde um Homem sem blogue procurava Vivenciar a Vida, em Escrita desajeitada, Sem pés nem cabeça, mas com O toque do coração.
No Rio sem margens que era o largo, os Pensamentos de uma gaja como ela, eram Picos de roseira brava, Dispersamente espalhados, pelas Águas do sul, num Mar arável.
Ausente do céu, o majestoso Grifo Planante, fora substituído pelo Açor, em delicados voos. Percorrendo o espaço, com o seu Olhar de Ouro, encontrou os Filhos do Desespero, que tal como o Anjo Azul, estão apostados em fazer alguma coisa, para melhorar a vida das crianças, vítimas da guerra.
Emocionada perguntou-se: Que posso eu fazer? 
Nasci no Alentejo, num Recanto do Sol, cheio de Arte & Emoções,   nas Interioridades dum Cantinho da Casa, com uma Figueira Minha, sem Número de Matrícula, nem Livros Autografados, cuja única Prata da Casa, eram os Ecos e reflexos do sol, incidindo nos campos de Papoilas.
Quase a chegar ao Cantinho da gaiata, encontrou-se com a São, e a Janita, que logo quiseram saber por onde andara ultimamente que não se deixava ver. E foi então que Elisa confessou, que ultimamente se tinha perdido no mundo virtual, e lhes falou, do Blogue da Taís Luso, do Blogue Veredas, do Blog dos Forninhenses,  e do Blogue do Sex_agenário.
Mas logo elas lhe disseram, que devia sair mais vezes. É na rua que está a vida, A revolta e romance,  se chora e se ri.  Se perde o olhar e o pensamento em Devaneios a Oriente, Versos de luz, e Fragmentos poéticos. 
Aqui se grita, e nos perdemos em Diálogos d’amore, nos Olhares em tons da maresia, nas Fotos ao acaso, em busca das Coisas da Fonte, disseram elas.
Entretanto chegaram a Diana,  a Flor de Lis, e o Guardião, a Divagar sobre tudo um pouco, e os seis formaram o Pacto Português, e achando que Era tudo muito bom, partiram em busca de do Canto-meu, onde o Esteban, discursava para o seguinte grupo de amigos. 


ESPIRITUAL -MUSICA
ÀS BOLINHAS AMARELAS

ROAQUIM ROSA
MARIA 
LOURDES SANTOS


Um enorme obrigado a todos



Se alguém não encontrar o seu nome, peço que me avise. 






28.4.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XI



Três dias depois, Clara foi buscar Beatriz para irem almoçar ao Ginjal.
Durante o almoço, a jovem contou à amiga, como tinha sido a sua estadia na casa paterna, e de como se sentia de bem consigo mesma, por ter recuperado o carinho e apoio dos pais. Depois…
- Amanhã vou ao centro de emprego. E comprar o jornal para ver os anúncios. Preciso de trabalho, as economias não duram sempre.
- E gostarias de trabalhar em quê?
- Sabes que sou educadora de infância. Mas nunca exerci a profissão. E não creio que a meio do ano possa arranjar alguma escola. Uma creche também não será fácil. No entanto estou disposta a trabalhar em qualquer coisa. Nem que seja em limpezas.
- Mas a situação é assim tão má? Pensava que a vossa situação era desafogada.
- Bom, a falar verdade, por enquanto não preciso de me preocupar. Tínhamos algumas economias. Mas não vou esperar sentada que acabem. Além disso preciso trabalhar. Manter a cabeça ocupada, para não estar sempre a pensar no que me aconteceu. Em casa não consigo deixar de pensar nisso. Acreditas que até já pensei em vender a casa, e alugar um apartamento noutro sítio?
- Sinceramente, penso que fazes mal. É uma boa casa, grande e está muito bem localizada. É uma mais-valia para o futuro. Claro que se te dói morar lá, podes sempre viver noutro sítio e alugá-la.
- Sabes o que é entrar naquele quarto, preparado com tanto amor para receber o meu filho? Sinto-me destroçada cada vez que lá entro.
- Percebo que deve ser uma grande dor. Mas porque hás-de ir lá?
Fecha a porta e deixa que o tempo passe. Embora nunca esqueças, o tempo suavizará a tua dor. Olha, porque não vens lá para a loja, enquanto não estás empregada. Sabes que é uma loja de bairro, pequena, não dá para ter empregada, eu e o Nuno, damos conta do recado. Mas conversamos, estás acompanhada.
- Por falar no Nuno, tenho que lá ir cumprimentá-lo. E pedir-lhe desculpa de estar sempre a requisitar-te. Ele não ficou aborrecido por teres vindo almoçar comigo e ter que almoçar sozinho?
-Não, mulher, não te preocupes. Ele sabe que eu o compenso mais tarde, - riu Clara.
Tinham acabado a refeição. Saíram do restaurante, e como ainda faltavam quarenta minutos para a hora em que Nuno reabriria a butique, resolveram dar uma volta pelo cais.




Amanhã, não haverá seguimento desta estória. O Sexta, completa amanhã dez anos, e a festa de aniversário impõe-se. Além de que ele quer homenagear os amigos, e eu espero que estejais presentes.



27.4.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE X



Dez dias se passaram, desde que Beatriz chegou à casa paterna. Com a mãe se abriu em confidências, e dela recebeu todo o consolo que só uma mãe consegue dar.
Passeou pela cidade, fortaleceu corpo e alma passeando pela praia, semi-deserta, recebendo a suave carícia do sol.
Recolheu-se em oração à Nossa Senhora da Piedade, de quem era devota. Não saiu uma única noite, preferindo, conversar com os pais, ler um livro, ou falar com Clara via telefone.
Naquela tarde, ela contou aos pais, que chegara a hora de voltar para a sua casa.
- Não sei porque hás-de ir viver sozinha em Lisboa. Aqui estavas perto de nós, qualquer coisa que precisasses, sempre te podíamos ajudar.
- Eu sei mãe, e agradeço. Mas lá tenho a minha casa. E muito mais hipóteses de arranjar um emprego, do que aqui, que bem sabes, só há trabalho com fartura de verão. Na época baixa as pessoas também comem. Isto na restauração e turismo. Porque em escritórios, só entra alguém novo quando um empregado se reforma ou morre. Não te aflijas. Agora será diferente. Virei mais vezes.
- E quando vais?
- Não sei. Vou agora na camioneta das três, à estação, tentar comprar bilhetes para amanhã, ou para depois dependendo de haver ou não bilhetes. Depois, atravesso a ponte da marina, venho pela avenida e vou à igreja. Só volto na camioneta das sete.
Saiu e dirigiu-se à paragem. Não teve que esperar muito, até à chegada da camioneta que a levou à estação, onde adquiriu bilhete para o Alfa do dia seguinte. Tinha que apanhar o comboio regional às catorze e dezoito e sair em Tunes, onde apanharia então o Alfa com destino ao Porto, que chegaria a  Lisboa, às dezoito horas.
Guardou o bilhete, e seguiu a pé. Deu uma volta pela marina, atravessou a ponte levadiça, e seguiu pela Avenida dos Descobrimentos, junto à muralha do canal, admirando um ou outro veleiro, que nele navegava. Embora Fevereiro estivesse a começar, os dias estavam solarengos, a temperatura amena, e já se viam alguns turistas. Também já estavam algumas tendas brancas, na avenida.  De verão são imensas e vendem os mais diversos artigos, de chapéus a toalhas, de roupas e malas, de bijuteria a óculos do sol. Comprou um colar, e por fim chegou à Praça do Infante.
Entrou na igreja, aquela hora deserta, e orou com fervor. Acendeu uma vela, pedindo paz para a alma do marido e persignando-se abandonou a Igreja.
Decidiu ir lanchar à Pastelaria Gombá. O bolo de café, especialidade da casa, era a sua perdição e desde que partira há três anos, nunca mais o saboreara.



26.4.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE IX







Saiu do comboio em Lagos e apanhou um táxi para a casa paterna.
O motorista, homem novo e simpático, saiu em direção à cidade, e ao atravessar a velha ponte, chamou-lhe a atenção para a outra ponte metálica e levadiça, que dá acesso à marina, talvez pensando que se tratava de uma turista.
A jovem sorriu e apressou-se a esclarecer, que era natural de Lagos, e conhecia bem a cidade, donde se tinha ausentado apenas há três anos.
Havia muito movimento, o carro rodava devagar, pela longa Avenida dos Descobrimentos, conhecida dos lacobrigenses pela marginal, rumo ao Forte Ponta da Bandeira, donde subiria depois, para a parte alta da cidade, já que era aí a casa paterna da jovem. Reparou que a praça do Infante, em frente à Igreja de Santa Maria estava diferente, e comentou-o com o motorista.
-É o espelho de água inaugurado há dois anos. Do lado de lá, entre o Mercado de Escravos, a Igreja e o Armazém Regimental, fazem-se festas populares, em alguns fins-de-semana, entre Junho e Setembro.
O táxi continuou, a marcha até à Avenida das Comunidades Portuguesas, para depois seguir em direção à Torraltinha, local onde os pais de Beatriz viviam. Aí chegados, a jovem pagou a corrida e dirigiu-se a uma casa térrea, onde tocou a campainha.
A porta abriu-se, e um homem alto, de meia-idade, perguntou:
-Perdeste a chave?
- Não me atreveria a usá-la. Nem sequer sabia se me ias receber, -disse, com as lágrimas rolando pela face.
O pai abriu os braços e ela deixando cair a mala, aninhou-se neles.
- Perdoa-me – soluçou
- Se alguém tem que pedir perdão, esse alguém, sou eu, pela minha intransigência. Nós, os pais, esquecemos muitas vezes, que vocês têm direito a viver a vossa vida, mesmo quando achamos que vão cometer um erro. Entra. E nunca mais penses em tocar à campainha. Esta casa também é tua. A mãe está na cozinha.
Estavam os dois visivelmente emocionados. O pai empurrou-a para dentro enquanto apanhava a mala da jovem e fechava a porta.
Beatriz foi direta à cozinha, e deixou-se cair nos amorosos braços que a mãe lhe estendia.





Sabem de uma coisa? Já tenho pc. E o melhor de tudo, vou-vos contar.
Desliguei todos os cabos e abri-o. Estava a aspirar-lhe o pó, quando reparei numa pilha, redonda, tipo das dos relógios mas maior Retirei-a e pedi ao marido para ir à Vorten, ver se encontrava uma igual. Ele trouxe-a, meti-a lá, fechei a tampa e liguei os cabos. E não é que está a funcionar perfeitamente?   




25.4.17

DIA DA LIBERDADE - 25 DE ABRIL - SEMPRE







LIBERDADE


Ontem
Olhavas e fingias que não vias.
Os órfãos e viúvas de guerras inglórias
O desespero dos emigrantes clandestinos
As terras abandonadas pelo terror da fome
A força sacrifício dos ideais feitos homens
Encerrados e torturados nas prisões do meu país

Acordaste numa manhã de Abril
Espantado
Porque nas nossas mãos
A revolta era cravo rubro
Nas nossas gargantas
O medo era um hino à Liberdade
Nos nossos braços enlaçados
A força da esperança no futuro.
Acordaste...
E como quem muda de camisa
Puseste-te ao nosso lado.

Era o tempo
de fingires ser democrata...

Com a Liberdade por companheira
Entre avanços e recuos
Fomos fazendo a nossa história
Mas como joio insidioso, 
Abafando o trigo
Ias minando a caminhada
Encerrando escolas, 
Fechando fábricas.
Cortando subsídios
Aumentando o desemprego
Empurrando-nos para a emigração
Aprisionando os nossos sonhos, 
No desespero e desencanto.
Fomentavas a descrença
Para desunir o Povo


Podes continuar a tentar.
Tal como a noite tenta todos os dias
apagar o esplendor do sol
Porque hoje
O povo tem mais
Do que o sonho e a esperança
Conhece o sabor da Liberdade
Reconhece o sabor a sal
Das lágrimas
O odor do sangue derramado
Daqueles que por ela, deram a vida.

E não se deixa enganar!

elvira carvalho


E agora deixo aqui o poeminha feito pela minha neta de 8 anos pelo mesmo tema, trabalho feito para a escola.

Portugal, o 25 de Abril, a Liberdade

Portugal é um país
À beira do oceano
Onde o céu é mais azul
E o sol mais brilhante.
As pessoas são alegres
Porque são livres.
Mas nem sempre foi assim.

No século passado
O povo vivia
Em permanente tristeza
Gente sem pão
Sem paz
Sem liberdade.
Os homens
Partiam para a guerra
Ou emigravam
As mulheres esperavam-nos
Saudosas
Ou choravam-lhes a morte.
E as crianças cresciam
Sem pai.
E muitos acabavam presos
Pois não tinham liberdade
Para protestar
Da vida que tinham.

Até que numa madrugada
De Abril
Os militares cansados
Da guerra
Fizeram a revolução
Derrubaram o governo
Acabaram com a guerra
Abriram as prisões
Fizeram novas leis
E o povo soube enfim
O que era a liberdade.



Mariana Carvalho  


Bom Feriado

24.4.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE VIII






Uma semana depois, Beatriz encontra-se no quarto. Em cima da cama tem uma mala de viagem aberta onde guarda algumas roupas. Durante aquela semana, 
o seu rosto ganhou cor e um aspeto mais saudável. Foi uma semana complicada, entre idas ao banco, às finanças, ao médico e à companhia de seguros, em que se fartou de preencher papéis, mudar o registo da água, luz, gás. E por fim a muito dolorosa ida ao cemitério.
Agora tudo tratado, preparava-se para ir passar uns dias a Lagos com os pais. Recuperar forças e coragem para enfrentar a vida, procurar um emprego, que as poupanças no banco não eram muito grandes, e se bem que não pagava renda de casa, havia todas as outras despesas inerentes à manutenção da mesma, sem falar na alimentação.
Acabou de encher a mala. Da gaveta de mesa-de-cabeceira, retirou a primeira página de um jornal, onde se viam dois carros totalmente destruídos, guardou-a por cima da roupa e fechou a mala. Olhou para o relógio. O intercidades com destino a Faro, saía da gare do Oriente, às dez e dois. Eram nove e um quarto. Ia chamar um táxi. Preferia ir mais cedo do que se atrasar no trânsito e não chegar a horas. Verificou mais uma vez a mala de mão.  Não esquecia  de nada. Desligou as torneiras do gás, e o contador da água, mas não o contador da luz, porque tinha carne e peixe no congelador, tinha que deixá-lo ligado. Telefonou para a central a pedir um táxi, pegou na mala de viagem e na mala de mão e finalmente saiu, para esperar o carro na rua.
Chegou à estação às nove e cinquenta. O comboio já lá estava . Procurou a carruagem a que pertencia o bilhete comprado no dia anterior pela internet, e ocupou o seu lugar deixando a mala de viagem ao seu lado, pois o esforço de colocá-la no lugar correspondente na prateleira superior do comboio, podia ser demasiado perigoso, para a sua recente cirurgia.
Entreteve-se com o movimento dos restantes passageiros que iam entrando, até que o comboio deu sinal de partida. A carruagem tinha bastantes lugares vagos, mas provavelmente ainda iria encher pois efetuava várias paragens. E embora o calendário mostrasse que estavam no final de Janeiro, o tempo estava agradável e os comboios para o Algarve costumam lotar em qualquer época do ano.
Pouco depois o revisor avisou-a, que tinha que sair em Tunes e apanhar a ligação do regional para Lagos.
Estava nervosa. Há quase três anos, que não via os pais. E apesar do que a mãe lhe tinha dito, ela continuava a temer a maneira como seria recebida pelo pai.


Amanhã como já devem calcular, não haverá esta estória, pois a história do dia merece outra postagem. E ela cá estará.




23.4.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE VII




Limpou as lágrimas, chamou a empregada, pediu a conta e pagou.
- Vamos? – Perguntou pondo-se de pé.
- Claro, - respondeu a amiga, levantando-se e seguindo-a.
Entraram no carro, e enquanto iniciava a marcha, Clara disse:
- Tomei a liberdade de telefonar à tua mãe e contar o que se passou. Deves compreender que o teu estado era muito grave e não se sabia as implicações que podia ter. A tua mãe ficou desesperada, e contou ao teu pai. Saber-te em perigo, deixou-o cheio de remorsos com a sua intransigência. Queriam vir ver-te, mas eu disse-lhes que não valia a pena uma viagem tão longa, tu não estavas capaz para visitas. Tenho-lhes dado notícias todos os dias, mas ontem não lhes disse que já tiveste alta. Queria ver-te um pouco melhor, para que sejas tu a ligar-lhes e a dar-lhes a notícia.
Beatriz não tinha palavras. A emoção sufocava-a. Era a melhor notícia que podia ter recebido. Tinham chegado à dependência bancária.
Desapertando o cinto, voltou-se para a amiga e disse:
- Importas-te de esperar um pouco enquanto lhes telefono?
- Não, mulher. Estes dias, estou por tua conta, - disse sorrindo.
Marcou o número da mãe, e aguardou nervosa:
- Sou eu mãe, -disse engolindo um soluço quando ouviu a voz da mãe, no outro lado. – Fisicamente, estou bem, já tive alta médica, mas estou muito triste.
Calou-se escutando o que a mãe dizia.
- A Clara contou-me. Tenho tantas saudades vossas.
Escutou de novo
- Agora não posso, mãe. Tenho que tratar de várias coisas, banco, seguro, finanças, legalizar a minha situação. Mas assim que trate disto vou aí passar uns dias. Preciso tanto do teu colo. Dá um abraço ao pai por mim… Não mãe, não quero falar com ele pelo telefone. Quero olhar-lhe nos olhos, quando lhe falar. Agora desculpa, tenho de desligar. Beijos, mãe.
Desligou a chorar. Estava demasiado sensível, tudo a emocionava, tudo lhe dava vontade de chorar.
Clara esperou um pouco, e depois estendeu-lhe um lenço.
-Seca essas lágrimas ou vais entrar no banco com os olhos inchados e vermelhos. O pior já passou. Agora é olhar para a frente e enfrentar de novo a vida.

Sem pc e não tendo programadas as postagens automáticas torna-se difícil continuar.
O filhote emprestou-me a sua tablet. Mas a ver até onde sou capaz de ir com isto eu que sou um calhau com olhos com estas tecnologias.
Bom domingo

22.4.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE VI






Clara chegou às nove da manhã. Mal tocou a campainha, Beatriz vestiu o casaco pegou na mala e saiu.
Saudou a amiga, e entrou no carro.
- Conseguiste descansar? – Perguntou Clara.
- Mais ou menos. Importas-te, se formos primeiro a algum lado onde possa comer alguma coisa. Ontem não tive coragem de ir às compras.
- E não jantaste?
- Bebi um chá e comi duas bolachas.
- Francamente. Precisas alimentar-te como deve ser. Estiveste mal, perdeste muito sangue. Olha, vamos parar aqui. Conheço o lugar, é sossegado e servem bem.
Estacionou o carro e dirigiram-se para o interior da pastelaria. Bastante gente ao balcão, mas apenas duas mesas ocupadas. Escolheram uma junto à janela, um pouco afastada das outras.
Depois de atendidas por uma simpática empregada, Clara perguntou:
- Já decidiste o que vamos fazer hoje?
- Tenho que ir às finanças, e ao banco, mas antes gostava de saber algumas coisas que não batem certas na minha cabeça. Sei que pagaste o funeral do Jorge e do bebé. Já fazemos contas, quando for ao banco. Mas como soubeste do acidente? Quem te avisou?
- Os bombeiros. Lembras-te, que pouco depois de engravidares te disse, que devias por no telemóvel, nos números de emergência, o meu com o do Jorge? Para o caso de precisares de alguma coisa e ele estar por exemplo em viagem? Foi por isso que os bombeiros me contataram, depois de ligarem o número do Jorge e ouvirem-no a tocar no local. Na verdade quando chegaste ao hospital, eu já lá estava. O Jorge, e a mulher do outro carro só chegaram um tempo depois, tinham ficado encarcerados. O choque foi muito violento. Segundo os bombeiros, o teu marido vinha em excesso de velocidade, não segurou o carro na curva e saiu fora de mão. Tens que contatar o seguro, eu não o podia fazer, só com procuração.
- Meu Deus! E a mulher do outro carro? Sabes alguma coisa?
- Segundo o que vinha no jornal, era professora, e deixa uma filha menor de três anos.
- Pobre criança!
Estava desolada. As lágrimas irromperam nas faces magras e sem cor.
- Coragem, amiga! Precisas de força, não os trazes de volta mortificando-te dessa maneira.
- O jornal, tens o jornal?
- Não. Mas pode conseguir-se, pedindo um exemplar desse dia à redação.



Estou com problemas no pc. Provavelmente vai ter que ir para a oficina. Parece que as férias lhe fizeram mal.
Bom fim-de-semana



21.4.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE V


Dormiu várias horas seguidas. Acordou com o toque do telefone.
Acendeu a luz e atendeu. Era Clara para saber como ela estava, e se precisava de alguma coisa. Acabaram combinando a hora para se encontrarem na manhã seguinte.
Clara era uma boa amiga. Era da sua terra, tinham sido amigas desde crianças. Depois o pai da jovem, fora trabalhar para Lisboa. A princípio ia todas as semanas ao Algarve. Depois arranjou uma casa na margem sul e a família mudou-se. Porém as duas jovens nunca perderam o contacto. Já adolescentes chegavam a trocar as férias. Clara ia passar duas semanas à casa de Beatriz, e na volta vinham as duas, para que a última passasse o resto do mês em Almada na casa da amiga.
Beatriz, não tinha chegado a conhecer os sogros. Eles já tinham morrido, quando conheceu Jorge. Segundo ele, o pai morrera de ataque cardíaco, a mãe de desgosto, pela perda do companheiro de toda a vida.
Já era noite. Tinha que fechar as persianas. Foi até à janela. Lá fora o céu estava estrelado. Havia poucas pessoas na rua. Quase todas jovens. Fechou a persiana e foi fazer o mesmo nas outras divisões.
Voltou a percorrer a casa. Como se não soubesse bem o que fazia, ou o que fazer. Pensou ligar para os pais. Será que eles tinham sabido da sua situação? Eles não lhe tinham perdoado, o facto de ter fugido com o namorado. O pai, homem rude e de princípios rígidos chegara mesmo a dizer que para ele a filha morrera.
Sem forças para contrariar o marido a mãe limitara-se a chorar.
Não vieram ao casamento, apesar de os ter convidado, mas ainda assim ela mandara-lhe a fotografia do casamento na igreja e o número de telefone.
Algum tempo depois a mãe ligou-lhe. Sem o marido saber. E foi assim nos últimos tempos. Quando a saudade apertava e a mãe estava só em casa, ligava para a filha.
Beatriz nunca o fazia. Tinha receio de provocar a ira do pai.
Se a mãe tinha ligado nos últimos tempos, ela não sabia. Tinha saudades deles. Queria contar o que se tinha passado. Receber o carinho e apoio deles. Mas receava a intransigência do pai.
Era melhor esperar pelo dia seguinte. Aconselhar-se com a amiga.