8.5.17

OS CAMINHOS DO DESTINO - PARTE XVIII




Tinha o corpo dorido, das voltas que dera na cama, atormentada pela descoberta da tarde anterior. Tomou um duche rápido, que a revigorou um pouco, secou a farta cabeleira, que entrançou como fazia habitualmente desde que saíra do hospital. Vestiu umas calças justas de ganga preta e uma blusa creme sem mangas, escolheu umas sandálias de meio salto, confortáveis para quem está calçada o dia inteiro, e para correr, nas brincadeiras com Matilde. Não usava maquilhagem. Apenas um creme de proteção solar e nada mais. Eram sete e meia, tinha o tempo exato para fazer o pequeno-almoço, duas torradas e um copo de leite quente, comer e apanhar o autocarro para chegar ao emprego, antes das nove. Era a sua rotina desde há três semanas.
Aquele era o último dia de Junho, o Verão fazia-se sentir em todo o seu esplendor.
 A garota acordava cedo, por norma quando ela e Berta chegavam, já andava correndo pela casa, e às vezes até já encontravam o pai, a dar-lhe a papa de cereais. Mal elas chegavam, ele ia para o escritório, e havia dias, quando Berta chegava uns minutos antes, que ela só o via à noite.
Naquele dia porém, Berta ainda não tinha chegado, ele preparava-se para fazer a papa de cereais, e parecia, aborrecido.
-Bom dia, -saudou
- Bom dia, - respondeu ele. - Ainda bem que chegou. A Berta tinha-me avisado que hoje não podia vir trabalhar e eu esqueci completamente. Consegue desenvencilhar-se sozinha? Terá que cozinhar para as duas, eu almoço por lá, perto da agência.
- Não se preocupe. Não serei tão boa cozinheira como a Berta, mas não morreremos de fome. E não precisa almoçar fora, tanto mais que a Matilde está habituada a vê-lo ao almoço.
- Faria isso? – Perguntou cravando nelas os seus olhos cinzentos.
- Sem problemas, - respondeu sorrindo
- Então deixo-as sós, tenho imenso trabalho.
Inclinou-se para beijar a filha, e saiu.
Beatriz acabou de preparar a papa para a menina, pôs-lhe o babete, deu-lhe a colher e sentou-se a seu lado, incentivando-a a comer, ao mesmo tempo que lhe contava uma história. Há quinze dias atrás, era preciso dar-lhe a papa. Ia fazer três anos, era uma boa idade para aprender a comer sozinha. Pelo menos a papa e as sopas. Em breve aprenderia as outras coisas.
Depois da papa, lavou-a e vestiu-a e deu-lhe um livro de colorir e os lápis de cores. Matilde adorava pintar e ela ficava livre para arrumar o quarto e ver o que havia no frigorífico que pudesse utilizar para o almoço.


18 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Tenho que retomar o fio à meada porque estive ausente por estes dias.
Boa semana

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
cheira-me a um dia especial.
vamos aguardar para ver como corre o fio á meada.
JAFR

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história e desejar uma ótima semana!


Isabel Sá
Brilhos da Moda

Francisco Manuel Carrajola Oliveira disse...

Continuo a acompanhar com interesse minha amiga.
Um abraço e boa semana.

Andarilhar
Dedais de Francisco e Idalisa
Livros-Autografados

Tintinaine disse...

Boa semana, Elvira, e força com essa história. Já se adivinha romance, só depende de ele gostar ou não do tempero!

Os olhares da Gracinha! disse...

O romance aproxima-se!?
bj
https://mgpl1957.blogspot.pt/

Edumanes disse...

César cravando nela,
os seus olhos cinzentos
porque,a vida é tão bela
vivida sem sofrimentos!

Favoráveis sopram ventos,
adivinha-se calmaria
na vida os bons momentos
são sempre de alegria!

Tenha uma boa tarde amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

AvoGi disse...

Acho que sim. Com tres anos já devia saber comer com talheres e sozinha
Kis :=}

✿ chica disse...

Pouco a pouco ela vai acomodando as coisas, ensinando outras, tudo andando bem e.... Vamos ver! bjs, chica

Bell disse...

Perdi algumas postagens, preciso voltar.

Desde já um maravilhoso dia das mães para você.

bjokas com carinho =)

redonda disse...

Fiquei na expectativa do que irá suceder neste almoço...
um beijinho e uma boa semana
Gábi

Prata da casa disse...

A acompanhar a história.
Bjn
Márcia

Silenciosamente ouvindo... disse...

Mais um início de semana e seguindo
a sua história.
Bjs.
Irene Alves

aluap Al disse...

Por vezes os pais são tão protectores que impedem as crianças de “crescer”. Está visto que com a Beatriz por perto esta criança vai aprender rápido outras coisas e sem deixar de viver a sua vida de criança.
Abraço e boa semana.

lourdes disse...

Só hoje vim ler tudo desde o princípio. Sabes que gosto de ler "por atacado".
Apesar do destino trágico da Beatriz, está a adivinhar-se aqui um romance.
Será que ela vai pôr picante no almoço? rsrsrsrs.
Beijos e fico a aguardar o desenvolvimento da história.

Gaja Maria disse...

Também acho que cheira a romance, mas a descoberta que ela fez foi uma grande partida. Boa semana Elvira

Cantinho da Gaiata disse...

Hum almoço a três, cheira-me a novidades.
Bj

Rosemildo Sales Furtado disse...

A Berta não foi trabalhar, César vai almoçar em casa, Matilde, possivelmente vai dormir depois do almoço, deixando-os sós. Será que vai acontecer algo novo? O melhor é aguardar.

Abraços,

Furtado