15.7.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE II






E passaram quase seis anos. Helena, viveu com os pais, até que o filho fez dois anos, trabalhando num posto médico na aldeia vizinha. Depois achando que o filho estava suficientemente crescido para entrar numa creche, começou a enviar currículos para hospitais e clínicas da capital. 
Pensava que tinha chegado a hora de dar um pulo na profissão, quiçá concretizar o sonho da sua vida. Três meses depois, tinha uma proposta de trabalho muito interessante numa clínica privada, para pequenas cirurgias de ambulatório. Ela gostaria mais de um hospital estatal, mas a proposta era irrecusável, o horário deixava-lhe muito tempo livre, já que estava ocupada apenas da parte da manhã, e quem sabe mais tarde conseguia entrar para um hospital. Afinal ela tinha conhecimento de que havia tantos médicos que trabalhavam em hospitais e clínicas, ou consultórios particulares em simultâneo. Assim mudou-se de armas e bagagens para a capital, alugou um pequeno apartamento, arranjou uma creche para o filho e iniciou uma nova vida.
Com a falta de médicos no país, e com o seu curriculum, não foi difícil conseguir trabalho num dos hospitais da capital. Foram apenas seis meses de espera. Depois teve que conciliar o trabalho no hospital, com o da clínica,reduzindo as horas na Clínica e passando-as para o final da tarde, depois da saída do hospital. Teve que arranjar uma empregada de confiança para ir buscar Diogo à creche, e ficar com ele até à hora em que ela chegava. Felizmente que a lei lhe permitia não fazer turnos, por ter um filho com menos de doze anos a seu cargo.
O seu filho completara cinco anos, no próximo ano, entraria para a escola oficial. Ela estava feliz com a sua profissão. Estava no chamado hospital dia, fazia apenas as pequenas cirurgias que podiam ser feitas em ambulatório, mas ainda assim era melhor que o anterior trabalho de médica de família no centro da aldeia. Por aqueles dias tinha ido a Londres assistir a um congresso. Antes disso foi à terra levar o filho, que deixou com os pais. Podia deixá-lo com a empregada, ela era competente e adorava o menino como se ele fosse seu próprio neto. Mas ela tinha a certeza, de que os pais teriam ficado aborrecidos se o fizesse. Era essa a razão, porque ela se encontrava naquela tarde de domingo, a despedir-se dos progenitores, para empreender a viagem de regresso a casa.
Uma hora depois o carro avariou, e Helena viu-se obrigada a telefonar para a Assistência em viagem e aguardar que mandassem alguém para solucionar o caso.

13 comentários:

Edumanes disse...

Se toda a gente fizesse o que gosto. Todos os organismos funcionavam a 100%, ninguém reclamava. Porque se sentia feliz com que fazia. Mas infelizmente assim não acontece. O que causa mau estar nesta desequilibrada sociedade!

Tenha uma boa noite, e um bom fim de semana amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

Tintinaine disse...

Grande salto deu esta história, ou melhor, a vida da protagonista.
Estou a gostar!

✿ chica disse...

Conto bem dinâmico e estou gostando dos passos...beijos praianos,chica

Sandra disse...

Boa noite D. Elvira, voltarei a passar para acompanhar a sua história. Bom fim-de-semana.

Roaquim Rosa disse...

Bom dia
esta avaria no carro , já nos deixa alguma dica para o próximo capitulo. haver vamos .
um bom fim de semana.
JAFR

maria disse...

Dá para perceber que estamos perante uma "mulher coragem"espero que Helena consiga atingir as suas metas.

Odete Ferreira disse...

Uma avaria?
Talvez o pretexto para algo inusitado.
Vamos ver... 😀
Bjinho

Anete disse...

Estou por aqui lendo mais um capítulo superinteressante...
Conto muitíssimo bom, a começar pelo título atraente e harmonioso!

Um abraço cheio de carinho...

Janita disse...

Veremos o que nos traz esta avaria no carro da Dra. Helena.
Algo de interesse, certamente. Nada acontece por acaso.
Vou aguardar expectante.

Um abraço, bom fim de semana, amiga Elvira.

Andre Mansim disse...

Continua muito boa a narrativa.
A história caminhou anos, mas não pareceu corrida.

Vamos ver!

aluap Al disse...

Virei espreitar se alguém lhe vai dar boleia ou se alguém lhe arranja o carro.
Desejo-lhe um bom fim de semana.

redonda disse...

Hum, que será que vai acontecer agora?
Ainda bem que já posso ler o próximo capitulo...

Manu disse...

Como há muito que aqui não venho e já vi que este texto tem continuação, comecei por aqui.
Uma história bem conseguida que estou a gostar de ler.

Beijos Elvira