2.8.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXIII









- Nenhuma – disse Helena, para quem aquela aventura vinha dar um ar de graça à sua vida tão rotineira.
- Muito bem. Tenho aqui a indicação da sua morada. Mas por todas as razões expostas, não aconselho o seu regresso. Teria que destacar um polícia para o proteger, o que poria de sobreaviso, quem quer que queira acabar consigo. Pela sua segurança, pela investigação, pelos cuidados médicos que decerto continuará a precisar, é aconselhável que continue com a doutora. Entretanto – acrescentou – vamos prosseguir as investigações, agora seguindo as pistas que a direção de orquestra nos forneceu. Segundo eles, o senhor é solteiro, vivia sozinho, e os seus pais já faleceram. Mas não sabem se tem familiares vivos. Não se lembra se tem irmãos, tios, sobrinhos? Alguém que tenha, consigo algum laço familiar, ainda que afastado?
- Não inspetor. A única coisa que recordei, que nem foi bem recordar, foi que quando a doutora Helena, disse que tinha de me arranjar um nome, imediatamente me veio à memória o nome de Fernando. Mas nem sequer sabia se era realmente o meu. Depois um dia tive um sonho que me deixou desconcertado. 
Contou ao inspetor o sonho, tal como antes o contara a Helena.
- Deveria falar com um psiquiatra. Pode ser que a sua memória vá aparecendo assim. Por agora está tudo dito. Entro em contato logo que tenha mais notícias. E já sabe, qualquer lembrança que tenha deve comunicar-me. Por mais insignificante que pareça. Espero que a resolução deste caso seja a seu contento.
Levantou-se e estendeu-lhes a mão dando a conversa por terminada.
Saíram. A caminho do carro, ela perguntou:
-Que se passa? Porque estás com esse ar tão macambúzio? Não é bom saberes quem és?
- Saber o meu nome, não é saber quem sou, doutora. Não percebeste que o inspetor suspeita de mim? Não percebes que posso ser um facínora?
- Tenho a certeza de que não o és, Fernando. Quando te olho, há desespero, e ansiedade no teu olhar. Maldade não. E eu acredito no que leio nos teus olhos.
- Deus te oiça, doutora, Deus te oiça.




14 comentários:

Isa Sá disse...

A passar por cá para acompanhar a história! Boas férias!

Isabel Sá
Brilhos da Moda

Roaquim Rosa disse...

bom dia
continua a expectativa agora com a insegurança do Fernando ainda mais !
JAFR

✿ chica disse...

Pobre Fernando e que situação essa dos dois! Bah! beijos, chica

Prof. Ms. João Paulo de Oliveira disse...

Cara confrade Elvira Carvalho.
Se o homem da lei descobriu a identidade do Fernando por que ainda não o endereço dele?
Lembrei que o Inspetor soube que o hóspede da doutora morava sozinho e é solteiro...
Será que o labor na orquestra era fachada para acobertar a atividade ilícita.
Caloroso abraço. Saudações inquiridoras.
Até breve...
João Paulo de Oliveira
Um ser vivente em busca do conhecimento e do bem viver, sem véus, sem ranços, com muita imaginação, autenticidade e gozo.

Os olhares da Gracinha! disse...

Imagino que não seja muito fácil!!! Bj

Anete disse...

Vamos adiante com o suspense encantador... Tudo será esclarecido, pois não há nada encoberto que não venha à luz...
Bjs e abçs

Silenciosamente ouvindo... disse...


Como sempre lendo com todo a atenção.
Um bjs.
Irene Alves

Zé Povinho disse...

Ele com receio de saber a verdade e ela com fé no seu carácter... Vamos ver como isto se desenrola.
Abraço do Zé

Edumanes disse...

Está indo sem pressa, como eu gosto. Para ler com atenção e comentar sem ter passar o olhar pelas letras a correr. Tenho vagar, não me importo quanto tempo mais a Sinfonia vai continuar! Até lá de certeza ainda vai dar muito que falar. Também paciência para esperar sem me irritar. Espero que termine em bem!
Tenha uma boa noite amiga Elvira, um abraço,
Eduardo.

O meu pensamento viaja disse...

Sempre tecendo tramas ...
Beijo

Odete Ferreira disse...

Vamos ver o que a narradora concebeu para este personagem...
Bjinho

Pedro Coimbra disse...

Muito pacato para ser um facínora...
Um abraço

Rosemildo Sales Furtado disse...

Procura-se por parentes do pianista Fernando da Orquestra Tal e Tal, pois o mesmo deixou uma herança de 50 bilhões de euros e não sabemos o que fazer com tal fortuna. Com um anúncio desse, com certeza iria aparecer milhões de parentes, falsos e, bem poucos verdadeiros. Rsrs. Continuo gostando.

Abraços,

Furtado

redonda disse...

Muito estranho que ele não tenha ninguém na sua vida e a ser assim aparentemente também ninguém lucraria com a sua morte...