9.8.17

SINFONIA DA MEMÓRIA - PARTE XXX


Aquele domingo de Abril, amanheceu radioso. Helena, o filho e os pais, tinham chegado dois dias antes ao Porto, e hospedaram-se no hotel, onde se realizaria a festa de casamento para os mais de duzentos convidados, que chegaram na véspera.
Helena jamais tinha sonhado com uma festa assim, mas Fernando não esquecia que lhe devia a vida, e quis que ela tivesse um casamento de princesa. Graças à armadilha montada pelo inspetor Morais, e sua equipa, conseguiram irritar Joaquim Salgueiro, que fez exatamente aquilo que eles esperavam. Tentou matar Fernando, o que não conseguiu, graças à pronta intervenção da agente que o acompanhava. Perseguido na fuga, e vendo-se encurralado, acabou disparando contra si próprio, a arma com que tentara alvejar Fernando. Com este desfecho, a polícia convocou a imprensa e contou toda a história. Os restantes membros da Orquestra, seus colegas, que se preparavam para regressar a Portugal, terminada que fora a sua digressão, foram então informados pela polícia americana do que se passara. Enquanto isso, ele regressara a Lisboa, para a sua doutora. Recuperara os seus documentos, apreendidos numa busca a casa do malogrado facínora, mas não a memória. Isso aconteceria, quinze dias mais tarde, quando numa academia de música, a que Helena o levou, por sugestão do psiquiatra, se sentou ao piano e deu livre curso à sua paixão. A Sinfonia nº 40 em sol menor de Mozart, com que devia estrear-se como solista nos Estados Unidos, penetrou nas profundezas da sua mente, e trouxe todo o passado para a atualidade. A magia da sua interpretação, fez com que as pessoas que se encontravam na academia, se fossem dirigindo para a sala, e aplaudissem entusiasmadas no final. Recuperada a memória, Fernando só tinha um desejo. Casar e regressar à sua casa na Póvoa, e à orquestra no Porto. Mas Helena, tinha que se despedir da clínica, e tentar a transferência do Hospital de Santa Maria para um hospital no Porto. E agora, tudo resolvido, envergando um belíssimo vestido branco, devidamente penteada e maquilhada pelos profissionais do hotel preparava-se para sair em direção à limusina que a levaria à Igreja da Lapa, onde o noivo a esperava cheio de ansiedade.
Mais tarde, pelo braço do pai avançou pela nave da igreja, confiante e feliz, sem desfitar o noivo, lendo nos seus olhos, as mais belas promessas de amor.
Quando a emocionante cerimónia chegou ao fim, e o padre lhe disse que podia beijar a noiva, Fernando beijou-a com paixão murmurando-lhe depois ao ouvido:
-Amo-te, doutora. Como nunca amei nada, nem ninguém.
Ela respondeu no mesmo tom.
- Amo-te tanto, que nem sei como consigo respirar.
Seguiram-se as felicitações. Primeiro, o próprio sacerdote, depois, o Inspetor Morais e a agente que durante uns dias fora “noiva” de Fernando, e que o noivo fizera questão de ter por padrinhos, Marta e o marido que foram padrinhos de Helena, os pais da noiva, e depois os familiares e amigos. Por fim os noivos encaminharam-se para a saída, da Igreja,  com Fernando carregando ao colo o pequeno Diogo, radiante por já ter um pai, como os outros meninos.


Fim

18 comentários:

Roaquim Rosa disse...

bom dia
ninguém sabe o que o destino nos espera .
vejam só o que aconteceu a uma senhora que correu risco de vida para salvar uma pessoa que estava ferida e abandonada numa estrada a meio da noite, o levou para o hospital e depois de uns meses de muita atribulação acabou por casar com ele .
somos muitas vezes surpreendidos com historias como esta o que nos faz pensar ainda mais que devemos viver um dia de cada vez.
JAFR

Gaja Maria disse...

Mais um final feliz :)
Gostei particularmente desta história Elvira. Parabéns!

✿ chica disse...

Que coisa linda esse final.Tudo se encaixou bem, se ajeitou e agora a felicidade reinava e os acompanharias pela vida afora....Adorei! Valeu cada capítulo! bjs, tudo de bom e obrigada pelos momentos tão prazeirosos de leitura! chica

Filhos do Desespero disse...

Adorei!

Agora que venha uma das outras duas :)

Edumanes disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Edumanes disse...

A Sinfonia da Memória,
terminou em casamento
mais uma bela história
guardada no pensamento!

Sejam felizes para sempre,
enquanto a vida vos permite
quem não ama amor não sente
na realidade o amor existe!

Tenha um bom dia amiga Elvira, continuação de boas férias, um abraço
Eduardo.

Emília Pinto disse...

Linda história, Elvira, como sempre, aliás. Adoro os teus contos e com certeza um novo chegará. Espero que as férias estejam a correr bem, principalmente com saúde e alegria. O vento, pelo menos aqui no norte está a estragar o nosso verão, mas....paciência!!! Beijinhos, Elvira.
Emilia

Pedro Luso disse...

Quando o escritor termina seu romance ou conto é normal que se sinta um pouco vazio, o que passará tão logo inicie outro trabalho literário. Parabéns, Elvira.
Um abraço.
Pedro

Os olhares da Gracinha! disse...

Um final desejado por quem gosta deste género de contos!!! Bj

lourdes disse...

Então o nosso pianista lá recuperou a memória e ainda ganhou uma família de bónus.
Uma história de amor com muita coisa boa.
Bjs.

redonda disse...

Gostei muito da história e acabou bem :)

um beijinho e continuação de boas férias

Cantinho da Gaiata disse...

Mais um conto que chegou ao fim com um final ao meu jeito.
Parabéns Elvira, adorei passar por aqui e ler mais este, agora venham os outros dois em lista de espera.
Beijinho e continuação de boas férias.

Minhas Pinturas disse...

Querida Elvira espero que além de descansar estejas também se divertindo e aproveitando muito o verão.
Como sempre faço, espero você acabar de montar toda a historia e leio do principio ao fim, sou capaz de varar as noites quando pego um livro de que goste e lê-lo de uma só tacada. Li o seu e gostei muito, és uma escritora que 'ama estorias de amor e finais felizes', e esta alem do encontro romântico, despertou a curiosidade pelo mistério que envolvia o personagem.
Parabéns amiga, amei.
beijinhos e ferias com muito sol.
Léah

Pedro Coimbra disse...

Um final feliz, como eu gosto.
Um abraço

Anete disse...

Um belo e feliz final!... O amor sempre vence. Escreveste muito bem "A Sintonia da Memória", Elvira.
O meu abraço. Depois da tempestade sempre vem a bonança...

Odete Ferreira disse...

Mais uma empolgante história chega ao fim.
Que acrescentar ao que venho dizendo desde que te leio?
Apenas reiterar os meus parabéns pelas tramas que bem urdes e desenvolves, mantendo acesa a curiosidade.
Bjinho

maria disse...

O enredo fez juz ao título...uma boa história, gostei muito!

Socorro Melo disse...


As suas histórias me deixam leve, Elvira! Admiro a sua capacidade de criar histórias tão bonitas. E histórias que falam de amor, pois, de desamor o mundo está cheio. Parabéns, querida! Acabei de ler, toda de uma vez.

Grande abraço